O mirandês é uma língua neo-latina, falada numa área aproximada de 500 Kms2, no extremo nordeste português (concelhos de Miranda do Douro e Vimioso), por uma população estimada em cerca de 12.000 pessoas. É uma língua que se manteve, ao longo dos séculos, por tradição oral, convivendo numa situação de diglossia com o português, sem uma norma escrita estabelecida e reconhecida. As primeiras tentativas de escrever em mirandês datam de finais do século XIX, especialmente pela mão do filólogo José Leite de Vasconcelos. Trata-se sobretudo de uma escrita fonética que foi seguida e adoptada, ao longo do século XX, por todos aqueles que escreveram em mirandês. Em 1995, um grupo de especialistas, constituído por falantes e linguistas/investigadores (Universidades de Lisboa e Coimbra) do mirandês, estabeleceu uma Proposta Ortográfica Mirandesa que, depois de discutida publicamente, deu origem, em 1999, à Convenção Ortográfica da Língua Mirandesa. Nesse mesmo ano era publicada a Lei 7/99, Diário da República de 24-01-1999, I Série-A, que reconhecia, oficialmente, os direitos linguísticos da comunidade mirandesa (o direito a cultivar e a promover a Língua Mirandesa), aprovados pela Assembleia da República, por unanimidade, em 17-09-1998.
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